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Depressão: o que é, causas, sintomas e tratamentos

A depressão é uma condição complexa que vai muito além de sentir-se triste ou desanimado ocasionalmente. É um transtorno de saúde mental que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e pode ter um impacto significativo na qualidade de vida. Entender a depressão é crucial para reconhecer seus sinais e buscar o tratamento adequado. Vamos explorar as várias facetas dessa condição, suas causas, sintomas, tipos, e as opções de tratamento disponíveis.

Depressão e seus números

Estudos apontam que uma em cada três pessoas experimentará um grande episódio depressivo em algum momento de suas vidas. E, embora a maioria dos casos de depressão seja leve, cerca de uma pessoa em cada dez terá um episódio moderado ou grave.

  • 322 milhões de pessoas no mundo já tiveram depressão. (Fonte: OMS)
  • 30% da população do planeta terá algum episódio de depressão ao longo da vida.
  • Apenas 10% dos paciente recebem tratamento. (Fonte: OMS)
  • Apenas 30% dos deprimidos procuram ajuda. (Fonte: Fontenelle, 2008)
  • Idade: 20-30 ANOS.
  • Cada vez mais diagnosticada em crianças.
  • A depressão é 2 vezes mais frequente em mulheres.
  • Chances de ter depressão 4% homens, 7%, mulheres.

Depressão associada ao suicídio

1,5 milhão de pessoas / ano: morrem de suicídio (Fonte: OMS 2020)
O suicídio é terceira causa de morte entre pessoas de 15 a 44 anos (McGirr A, et als, 2007)
No Brasil, morrem 24 pessoas / dia (Brasil. Ministério da Saúde, 2008)
15% dos deprimidos se suicidam (OMS, 2002)

Sintomas da depressão

Os sintomas emocionais da depressão incluem sentimentos persistentes de tristeza, desesperança, e desamparo. Pessoas com depressão perdem frequentemente o interesse em atividades que antes eram prazerosas e podem sentir-se constantemente irritáveis ou ansiosas. Entre outros sintomas estão:

  • Pensamentos negativos;
  • Humor deprimido;
  • Perda ou desinteresse pela vida;
  • Dificuldade de concentração;
  • Alteração do apetite, sono, peso;
  • Lento nas atividades físicas e mentais;
  • Sentimento de culpa – fracasso.
depressão - Dr. Pablo Llompart

Dr. Pablo Llompart

Características da depressão

A depressão é um transtorno mental caracterizado por uma sensação persistente de tristeza e perda de interesse em atividades anteriormente prazerosas. Não se trata apenas de um “sentir-se para baixo” de forma ocasional, mas sim de uma condição que pode afetar profundamente a vida de uma pessoa.

Uma pessoa com depressão também pode manifestar características como:

Vício de ficar inerte (Sem ação);
Isolamento social:
Perda de interesse pela vida;
A pessoa fica presa ao passo;
Não consegue lidar com lembranças dolorosas;
Sem energia para viver o presente;
Sem visão ou perspectiva do futuro.

Quando a frustração e a depressão se confundem?

As semelhanças entre frustração e depressão podem levar à confusão. Ambas podem causar irritabilidade, desânimo e uma sensação de impotência. No entanto, enquanto a frustração geralmente está ligada a eventos específicos e é temporária, a depressão é uma condição prolongada e generalizada, afetando diversos aspectos da vida de uma pessoa.

Diferenças fundamentais entre frustração e depressão

  • Natureza temporária vs. prolongada: Frustração tende a ser uma resposta imediata e passageira a uma situação específica. A depressão, por outro lado, é uma condição persistente que pode durar semanas, meses ou até anos.
  • Reações e consequências: Enquanto a frustração pode levar a ações impulsivas ou a uma explosão de raiva, a depressão frequentemente resulta em isolamento social, falta de energia e perda de interesse em atividades diárias.

Quais são as 5 fases da depressão?

A depressão é um transtorno de saúde mental que se caracteriza por ter algumas fases bem delimitadas. Em linhas gerais, existem cinco momentos que definem essa condição clínica, que sempre é provocada por alguma causa que dá origem a uma série de manifestações emocionais, comportamentais e cognitivas.

  1. Evento desencadeador
    A condição se origina a partir de um evento ruim na vida de uma pessoa.
  2. Modificação de crenças
    A pessoa que entra nessa fase tende a modificar suas crenças sobre si mesma, sobre o mundo e sobre o futuro, adotando uma perspectiva negativa dos fatos.
    Tem ideias de desvalorização de si, resultando em uma visão depreciativa das ações tomadas. A modificação de crenças é causada por um aumento dos sentimentos de inferioridade e baixa autoestima.
  3. A depressão em si
    A depressão em si corresponde à identificação dos sintomas típicos que estão presentes em um quadro depressivo habitual como:
  • Sensação de vazio permanente;
  • Desinteresse e prazer nas atividades;
  • Perda ou ganho de peso corporal;
  • Perda ou aumento de apetite;
  • Distúrbios do sono;
  • Lentidão;
  • Fadiga;
  • Sentimento de culpa exacerbado;
  • Falta de concentração e atenção;
  • Deterioração dos relacionamentos sociais, profissionais e familiares.
  1. Desinteresse pelo mundo
    Por outro lado, a depressão leva a uma perda de interesse pelos acontecimentos do mundo, surgem inibições marcadas para realizar ações específicas em várias áreas, como trabalho, estudo e passatempos. Surge uma necessidade de se isolar.
  1. Fatores subjacentes à depressão
    A doença pode persistir ao longo do tempo devido a certos fatores que contribuem para a manutenção dos sintomas mais característicos como:
  • Estresse;
  • Dificuldades nos relacionamentos com outras pessoas;
  • Pensamentos negativos.

Quando a depressão é grave?

O termo ‘depressão profunda’ é popularmente utilizado para descrever o estágio avançado dessa doença. Ele se refere a sensação de ‘dominação’ que as pessoas depressivas sentem, como se não tivessem controle sobre seus pensamentos, ações e emoções.

Os seus pensamentos e emoções atingem um nível extremo de negatividade. Tudo o que ele faz ou pretende fazer é encarado com desinteresse, ou está fadado ao fracasso. Se essa mentalidade não é confrontada, pensamentos suicidas podem começar a rondar a mente do depressivo.

Veja também

Quais são os 8 tipos de depressão?

Transtorno depressivo maior

Esse é o tipo de depressão mais frequente e conhecido. Caracteriza-se por um quadro de humor deprimido, perda de interesse e de prazer, energia reduzida, diminuição das atividades e, em casos mais graves, sofrimento, melancolia e incapacidade temporária, especialmente quando não tratado.

Depressão bipolar

A pessoa experimenta episódios alternados de momentos depressivos com períodos de extremos, eufóricos ou irritáveis, chamado “mania”.

Distimia

Essa é uma forma de depressão crônica, com duração mínima de dois anos e de intensidade moderada.

Depressão pós-parto

Os sintomas podem aparecer nas primeiras semanas depois do parto ou mesmo durante a gestação.

Transtorno disfórico pré-menstrual

Surge quase todos os meses no período que antecede a menstruação e deve cessar quando o ciclo se inicia. Assim como a TPM, decorre de uma baixa de estrogênio, o hormônio feminino.

Transtorno afetivo sazonal

É a depressão durante os meses de inverno, quando há menos luz solar natural. A depressão de inverno, que costuma se repetir todos os anos, é acompanhada de retraimento social, aumento do sono e ganho de peso.

Depressão psicótica

A pessoa tem depressão grave e sintomas psicóticos, como ter falsas crenças (delírios) e ouvir ou ver coisas perturbadoras que os outros não conseguem perceber também (alucinações).

Transtorno depressivo induzido pelo uso de substâncias / medicamentos

Está associada à ingestão, injeção ou inalação de uma substância (droga de abuso, exposição a uma toxina ou uso de medicamento.

depressão aguda

Como sair da depressão em 7 passos

Entender como sair da depressão é fundamental, e isso pode ser feito de várias maneiras. Terapia e medicação são geralmente combinados com estratégias comportamentais para que a pessoa aprenda a lidar com os sentimentos dessa doença.

  1. Fale com pessoas confiáveis: Fale sobre seus sentimentos com seus amigos, familiares ou até mesmo em grupos de apoio online. Pois, sabendo que você pode contar com pessoas queridas, você se sentirá mais forte para enfrentar a doença.
  2. Reduza o estresse da vida: Quando você está sob estresse, seu corpo produz um hormônio chamado cortisol. No curto prazo isto é bom, porem quando o estresse dura muito tempo, seu cortisol abaixa e sobrevém os sintomas de depressão.
  3. Melhore seu sono: O sono e o humor estão intimamente relacionados. Desligue os eletrônicos pelo menos uma hora antes de ir para a cama. Use sua cama somente para dormir e para atividades sexuais. Se necessário, use suplementos de melatonina para melhorar seu sono.
  4. Melhore seus hábitos alimentares: Existem muitos nutrientes essenciais ao cérebro que podem reduzir a depressão como, vitamina D3, zinco, magnésio, triptofano, etc., converse com seu médico.
  5. Mude os seus pensamentos negativos: Técnicas como a programação Neurolinguística, meditação , e Psych-K ,terapia , etc , são técnicas de reprogramação da sua mente subconsciente muito exitosas para isto .
  6. Combata a procrastinação: Os sintomas como fadiga e dificuldade de concentração, tornam a procrastinação habitual. Então como sair da depressão se sentindo tão cansado?
    Aprenda a gerenciar bem o seu tempo. Comece por estabelecer metas pequenas e vá concluindo conforme conseguir. Logo você perceberá que cada tarefa concluída com êxito lhe ajudará a romper o nefasto hábito da procrastinação.
  7. Aumente sua serotonina naturalmente: A serotonina é um hormônio relacionado ao bem-estar e felicidade. Esse hormônio é produzido naturalmente pelo nosso corpo quando praticamos atividades físicas como caminha, corrida, ciclismo, exposição ao sol e sono. Assim, elevar naturalmente seus níveis de serotonina é um ótimo modo de sair da depressão.

O que é uma crise de depressão?

Segundo o Dr. Pablo Llompart, uma crise de depressão é quando os sintomas estão em seu pico elevado de intensidade, impossibilitando da pessoa realizar suas atividades cotidianas, impactando negativamente em tudo o que vai fazer.
As crises se caracterizam principalmente pelo descontrole emocional e a incapacidade da pessoa de lidar com o conflito.
É uma crise de tristeza com pensamentos negativos, associados a uma falta de energia.

Quanto tempo leva para se curar de uma depressão?

Embora seja uma doença grave e necessita de cuidados, quando se procura a ajuda de um especialista, que pode ser um psicólogo ou psiquiatra, é possível alcançar a cura e reaver sua qualidade de vida.

Existem muitas formas de lidar com a depressão e alcançar a cura por meio de suplementação com nutrientes, mudança de estilo de vida, reposição hormonal, terapias de reprogramação do subconsciente, hipnoses, etc. onde o profissional auxilia a identificar seus problemas e apresenta métodos para ajudá-lo a enfrentá-los e sair do estado de tristeza.

Também existem os tratamentos como Mindfulness, meditação, ioga, estimulação magnética, ativação comportamental, até mesmo passatempos como pintar, dançar, jogar, praticar esportes, todas essas práticas ajudam a diminuir a ansiedade e o estresse, assim como o relaxamento da mente e corpo após a prática.

Casos mais graves precisam de intervenção medicamentosa e podem ainda contar com certos métodos diferenciados, quando o convencional falhar, como técnicas de eletroconvulsoterapia.

Mas a combinação clássica e mais comum é a combinação de certos remédios para depressão e terapias. Mais sempre é bom lembrar que depressão não é falta de antidepressivo.

Qual a parte do corpo que a depressão afeta?

Esses são apenas alguns dos sintomas físicos mais comuns que são relatados entre pessoas que sofrem de depressão:

Dores no corpo

Com a depressão, ocorre um desfalque do hormônio serotonina em nosso organismo. Esse é um dos hormônios responsáveis pelo nosso bem-estar e até mesmo alegria. Além disso, a falta dessa substância e da dopamina em nosso cérebro, podem ser a causa de outras áreas do corpo sofrerem também, como esses neurotransmissores estão em falta, pode ocorrer a falha na inibição do processo de dor.

Problemas digestivos

Quando uma pessoa sofre de problemas digestivos sem uma causa aparente, pode ser considerado um dos sintomas decorrentes da doença, embora não haja um consenso sobre o porquê isso acontece, alguns médicos também acreditam que seja devido à falta de serotonina.

Transtornos alimentares

A condição provoca a alterações alimentares que podem depender de cada pessoa. Algumas podem parar de comer e acabar emagrecendo, enquanto outras podem comer mais e engordar. Além disso, outro fator da depressão que pode causar obesidade é a disfunção hormonal.

Falta de ar, sudorese e palpitações

Esses são sintomas que costumam acontecer no corpo durante uma crise de ansiedade. Esta, por sua vez, deixa dificilmente de complementar o quadro de depressão.

Doenças cardiovasculares

A doença é responsável por manter os níveis de cortisol no sangue muito elevados, o que acaba dando hipertensão arterial na maioria dos que sofrem de depressão.

Como é o comportamento de uma pessoa com depressão?

O diagnóstico de depressão requer a presença de cinco ou mais sintomas que incluam obrigatoriamente espírito deprimido, durante pelo menos duas semanas. Algumas pessoas utilizam estes sintomas como teste de detecção on-line.

  • Sentir-se deprimido, triste, a maioria do tempo, quase todos os dias;
  • Desinteresse ou prazer diminuído para realizar a maioria das atividades;
  • Perda ou ganho de peso não intencional;
  • Insônia ou hipersonia (muito sono) praticamente diárias;
  • Agitação ou apatia psicomotora, quase todos os dias;
  • Falta de energia: fadiga ou perda de energia,
  • Sentimento permanente de culpa e inutilidade;
  • Dificuldade de concentração ou para pensar de forma frequente;
  • Ideias suicidas ou de morte recorrentes.

O que pode piorar ou aumentar o risco de ter depressão?

  1. Episódios anteriores de depressão: Um estudo publicado pela Universidade de Oxford retratou que cerca de um terço dos indivíduos com depressão profundar (quadro mais grave), apresentaram um ou mais episódios da doença nos 12 meses anteriores.
  2. Histórico familiar: Contudo, não há desenvolvimento de depressão necessariamente devido à ocorrência da doença em outros membros da família. Em um estudo feito pela Associação Americana de Psiquiatria, chegou-se à conclusão de que, se um irmão gêmeo desenvolve depressão, o outro tem 70% de chance de apresentar a doença.
  3. Doenças crônicas: Doenças crônicas estão entre os principais fatores de risco para a depressão, porque a administração de muitos medicamentos, restrições alimentares e até mesmo sociais, podem contribuir para o risco da depressão. Ademais, para os indivíduos que lidam com dores intensas e permanentes, o que gera ansiedade e tristeza, potencializa o risco desse quadro clínico.

Traumas de infância e recentes

Seja na infância ou recentemente na vida adulta, a ocorrência de traumas pode desencadear a depressão com diferentes intensidades. Geralmente acontecem quando alguma situação é difícil de ser superada, causando perturbações emocionais e prejudicando a saúde mental. A perda de um familiar é um dos maiores motivos desencadeadores da depressão. Crianças que passaram por abusos sexuais na infância, divórcio dos pais ou bullying durante anos no ambiente escolar, podem ter vivenciado traumas nas primeiras décadas de vida que nunca foram resolvidos internamente, o que as torna mais propensas a desenvolverem a doença.

Os fatores de risco não são muito específicos e, geralmente, a doença pode ser tratada ou prevenida com apoio de amigos, familiares e aconselhamento terapêutico. No entanto, em casos mais graves, o auxílio de profissionais capacitados para lidar com a saúde mental das pessoas não deve ser negado.

O que uma pessoa com depressão costuma fazer?

A pessoa com depressão costuma a se isolar das pessoas e do mundo perdem o interesse pelas coisas comuns da vida, não conseguem lidar com situações simples do quotidiano da vida.

Qual o pior alimento para depressão?

O consumo de bebidas alcoólicas deve ser desestimulado, pelos efeitos no sistema nervoso central, que se associam a crises de ansiedade e depressão.
Frutas, verduras, azeite de oliva, peixes e oleaginosas como castanha e nozes são alimentos ricos em nutrientes que protegem e ativam a comunicação entre os neurônios.
É importante que estes alimentos façam parte da rotina alimentar de pessoas com depressão, por isso procure inseri-los sempre que for possível.

O que não se deve falar para uma pessoa com depressão?

É preciso estar disposto a ouvir o que a pessoa com depressão tem a falar, sem julgamentos, sem críticas. Quem tem a doença já possui autocrítica aguçada. Por este motivo, e importante dar apoio emocional sem julgamento, porque pode piorar ainda mais o quadro depressivo.
Usar expressões como “você precisa reagir” não ajuda. A prostração ou incapacidade de realizar tarefas comuns do dia-a-dia são sintomas do quadro depressivo e não falta de vontade da pessoa.
Ao mesmo tempo, é importante não tentar resolver todos os seus problemas, como se ela fosse incapaz de fazê-lo, evitando que se sinta uma pessoa inútil. Esse equilíbrio deve ser buscado com muita conversa, respeito e confiança entre as pessoas.

Conclusão

A depressão é uma doença séria que requer atenção e tratamento adequados. Embora possa ser debilitante, com o apoio certo e estratégias eficazes, é possível superá-la. O mais importante é lembrar que ninguém está sozinho nessa luta, e ajuda está disponível.

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